Cobertura
dos telejornais tende a se aproximar muito das prioridades dos candidatos
Por Renata Moraes, para a Agência USP (www.usp.br/agenciausp), janeiro de 2006
Em seu doutorado, defendido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o cientista social Paulo Sérgio da Silva estudou a relação entre a cobertura do Jornal Nacional (TV Globo) e do Jornal da Record (Rede Record) sobre os candidatos Luís Inácio Lula da Silva e José Serra e a propaganda desses dois políticos no horário eleitoral e nos spots (inserções ao longo do dia). Segundo o pesquisador, as coberturas jornalísticas tendem a dar destaque à disputa em si, devido ao caráter mais dinâmico e atraente, do que o das propostas: "Fala-se muito na agenda de campanha, nas estratégias, em pesquisas de intenção de voto". No entanto, quando tratavam de assuntos fundamentais, como economia e projetos sociais, Silva afirma que verificou nos dois noticiários uma grande aproximação com as prioridades dos políticos e a imagem que queriam passar em suas peças publicitárias. Prioridades Lula, por exemplo, priorizou a questão da fome, a necessidade de uma reforma agrária "justa", a melhora do ensino público e a geração de empregos, afirma o pesquisador. Ele cita que outro ponto marcante da campanha foi a criação da imagem de "Lulinha paz e amor", por meio da Carta ao Povo Brasileiro, abandonando a defesa da "ruptura efetiva com a política econômica" para adotar o slogan da mudança "responsável" e "segura" para o País. Para Silva, a cobertura dos telejornais destacou bastante o programa petista de combate à fome, apostou na nova imagem do candidato enfatizando sua promessa de honrar contratos e ajudou a neutralizar as resistências daqueles que o viam como despreparado. Outra forma de comparação entre a propaganda dos candidatos e a cobertura da mídia foi a hierarquia de assuntos. Silva conta que a lista de prioridades de Serra (assuntos mais mencionados) era economia (1º), saúde (2º) e segurança (3º). Na cobertura que a mídia fez do candidato esses assuntos tiveram prioridade bastante semelhante: economia (1º), saúde (5º) e segurança (2º). De acordo com o pesquisador, essa proximidade levanta uma questão: os candidatos estavam determinando os assuntos de que tratava a mídia ou a mídia estava sendo pautada pela publicidade dos políticos? Mais informações:
paulse@usp.br ou paulooseergio@yahoo.com.br, com o pesquisador.
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